Um estudo publicado em 2025 por 23 profissionais da Meta (“Code Improvement Practices at Meta”) analisou como a empresa consegue manter um ritmo altíssimo de entregas sem deixar o código virar uma bola de neve. Spoiler: não é sorte. É método.

Mesmo num ambiente de entregas contínuas, onde o risco de acumular débito técnico é enorme, a Meta criou uma cultura e um sistema de práticas voltados à melhoria contínua do código.

14% das mudanças no código são melhorias

A análise de milhões de commits revelou que 14% das mudanças no código da Meta têm como propósito principal melhorar a base existente, por meio de refatoração, remoção de código morto, reorganização e simplificação. Na média da indústria, estimativas semelhantes apontam algo próximo a 4%.

Essas melhorias acontecem em três níveis complementares:

  1. Orgânico – iniciativas espontâneas de engenheiros
  2. Programado – blocos de tempo reservados para “Better Engineering” (BE)
  3. Estratégico – grandes projetos de reengenharia em módulos críticos

Gamificação e reconhecimento

A Meta criou badges e scoreboards internos para destacar quem contribui com a qualidade do código. Engenheiros recebem selos como “Code Cleaner” e “BE Gold”, que reforçam o orgulho técnico e incentivam boas práticas.

Priorização guiada por dados

Para decidir onde investir esforço, a Meta usa métricas que ajudam a identificar áreas críticas:

  • Complexidade ciclomática
  • Centralidade em grafos de dependência
  • Frequência de mudanças
  • Histórico de falhas
  • Perda de conhecimento (arquivos alterados por devs que saíram da empresa)

Ou seja: não é refatorar por refatorar, é intervir onde o risco e o impacto são maiores.

Resultados medidos

As melhorias trazem ganhos mensuráveis, como:

  • Redução de até 90% nas falhas
  • Tempo de autoria até 77% menor
  • Redução da complexidade do código
  • Mais estabilidade e velocidade sustentável no longo prazo

Lições

A Meta mostra que excelência técnica não é luxo. A melhoria contínua é tratada como parte do ciclo de entrega.

Reflexão final

Se uma empresa que lança código todos os dias dedica 14% do tempo só a melhorias, quanto tempo sua squad dedica? Talvez o verdadeiro risco não esteja em parar pra refatorar, e sim em nunca parar.