A Figma publicou o State of the Designer 2026, um levantamento com 906 designers de diferentes regiões do mundo, investigando como a profissão está reagindo à incorporação acelerada de inteligência artificial, às mudanças no mercado e às transformações nos modelos de trabalho.
Os dados oferecem um retrato de uma área em transição, marcada por adoção tecnológica intensa, reconfiguração de expectativas e uma valorização renovada da qualidade do trabalho.
Alguns números ajudam a dimensionar o momento atual da profissão:
Adoção de IA
- 72% dos designers utilizam ferramentas de IA generativa
- 98% desses designers aumentaram o uso no último ano
- Entre os que aumentaram o uso:
- 91% concordam que as ferramentas ajudam a criar melhores designs
- 89% dizem que ajudam a trabalhar mais rápido
- 80% afirmam que ajudam a colaborar de forma mais eficaz
- Designers que estão aumentando o uso de IA são 25% mais propensos a relatar aumento de felicidade no trabalho do que aqueles que não estão
Percepção de crescimento
- 41% dos designers que aumentaram o uso de IA dizem que suas empresas estão crescendo mais rápido que a média do mercado
- Entre aqueles cujo uso de IA permaneceu igual ou diminuiu, esse número é 33%
Craft e satisfação
- 45% dizem que suas empresas aumentaram o foco em craft no último ano
- 67% dos designers cujas empresas aumentaram o foco em craft estão mais felizes no trabalho
- 60% dos designers são mais felizes quando a liderança demonstra interesse pelo seu trabalho
- Designers em empresas com maior foco em craft tendem a perceber maior crescimento e ter visão mais positiva da profissão
Fatores de felicidade no trabalho
- Liberdade criativa é o atributo mais importante para felicidade (29% colocam como fator nº1; 48% entre os três principais)
- 87% concordam que autonomia melhora seu desempenho
- 91% dizem que objetivos e expectativas claros ajudam a fazer seu melhor trabalho
Percepção sobre a profissão
- 36% acreditam que a profissão melhorou no último ano
- 35% acreditam que piorou
- 29% dizem que permaneceu igual
Os números indicam uma área dividida quanto à percepção geral do momento da profissão, mas relativamente alinhada quanto aos fatores que impactam desempenho, satisfação e perspectiva de crescimento.
A IA como parte da infraestrutura do design
A adoção de IA deixou de ser periférica e passou a integrar o fluxo cotidiano de trabalho. Ferramentas generativas influenciam a forma como exploramos alternativas, estruturamos soluções e iteramos hipóteses. O relatório mostra que designers que ampliam o uso dessas ferramentas tendem a perceber ganhos concretos tanto em velocidade quanto em qualidade de entrega.
Há também uma associação entre maior adoção de IA e percepção de crescimento organizacional, sugerindo que a incorporação dessas ferramentas pode estar conectada a contextos mais dinâmicos e orientados à experimentação.
Craft como indicador cultural
Embora a tecnologia ocupe grande parte da discussão atual, o relatório reforça que o conceito de craft permanece central para a experiência do designer.
Quando perguntados sobre o que define craft, os respondentes destacam principalmente polimento visual e atenção ao detalhe (58%), seguidos por resolução cuidadosa de problemas (47%) e clareza de experiência (36%).
Mais relevante do que a definição é o impacto organizacional. Designers em empresas que aumentaram o foco em craft relatam níveis significativamente mais altos de satisfação e maior otimismo em relação ao negócio e à profissão. A presença ativa da liderança no reconhecimento e valorização do design aparece como um fator consistente nessa equação.
Craft, nesse contexto, funciona como um marcador de prioridade cultural e de maturidade organizacional.
Liberdade criativa, autonomia e direção
A liberdade criativa aparece como o principal fator de felicidade no trabalho, acompanhada de autonomia e clareza estratégica. Designers relatam melhor desempenho quando têm espaço para tomar decisões e quando compreendem claramente objetivos e expectativas.
Os principais obstáculos mencionados são falta de clareza e direção, microgerenciamento e comunicação insuficiente. Em um ambiente em que a IA amplia a capacidade de produção e acelera ciclos de exploração, a clareza estratégica se torna ainda mais relevante para orientar decisões e manter coerência.
Uma profissão em reorganização
A divisão equilibrada nas percepções sobre o estado da profissão indica um campo em reorganização. O relatório mostra variações regionais significativas e uma coexistência de otimismo e preocupação.
À medida que a IA absorve parte do trabalho mais operacional, aumenta a importância de decisões relacionadas a sistema, coerência, julgamento e qualidade de experiência. O valor do designer passa a estar cada vez mais associado à capacidade de estruturar problemas, definir critérios e garantir consistência em ambientes de maior complexidade tecnológica.
O relatório sugere que a próxima fase do design dependerá menos da simples adoção de ferramentas e mais da capacidade das organizações de integrar tecnologia, cultura de qualidade e clareza estratégica de forma consistente.